domingo, 28 de junho de 2009

LEMBREI!

Pensei que tinha perdido este blog, os eletrochoques me fizeram esquecer o login e não tinha jeito de eu me lembrar. A sorte foi que meu irmão me pediu para eu enviar para ele umas canções e aí o título de uma delas era justamente o login. Não que a ficha tenha me caído de pronto. Só foi me cair no dia seguinte (hoje), por isso este post.

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Fui comprar uma coca e dois Derby no posto aqui perto e, na volta, presenciei o diálogo entre dois motoqueiros, um deles de Olinda. Aí outra ficha me caiu, acho que os olindenses têm um sotaque levemente diferente, levemente mais cantado que o dos recifenses. Acho até mais bonito.

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Resolvi criar um outro blog só para falar do grande amor da minha vida única e exclusivamente para quem lê e não me ama. Está ridículo e repetitivo, bobo, mas também servindo para aliviar meu coração da enormidade de sentimentos guardados. Acho que ela nem lê e, se ela não lê, ninguém lê.

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Em vez do novo emprego, voltei para o antigo. Meu coração estava lá. Vou começar quando comprarem um computador pra mim, o que deve ocorrer ainda esta semana. Ainda estou inseguro em relação à minha criatividade, o que é um grande saco. Espero conseguir desenrolar legal depois que desenferrujar (faz meses que não crio nada publicitário [e não, os textos esclusivos para quem lê e não me ama não contam, até porque seriam a prova da minha incompoetência!]).

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Eu gosto mais deste blog do que do novo, o exclusivo. Não sei se porque eu acho que ela não lê. Não sei se porque o conteúdo me é muito constrangedor e ridículo.

domingo, 7 de junho de 2009

Eu estou com medo e eu odeio ter medo. Estou com medo de minha criatividade não voltar, estou com medo de não conseguir me dar bem no novo emprego, se é que o emprego vai rolar. Minha memória está tão ruim que eu esqueci onde fica o novo emprego. Sei que é em Boa Viagem, mas não sei como chegar lá, em que altura. Estou achando Bia mais feia, será que é minha paixão se esvaindo? Depois de nove anos, já não era sem tempo. Ela sempre me achou um zero à esquerda mesmo. Saco como estou com sentimentos ruins. Não devia ter bebido ontem, mesmo que pouco. Queria me apaixonar por alguém que retribuísse o sentimento. Será que é pedir demais? Deve ser. Tenho que me dar bem nesse trabalho, preciso de um trabalho, mas não estou botando muita fé nesse trabalho, não sei se tenho criatividade para bolar eventos, nunca fiz isso ou se fiz, fiz muito pouco. Sinto falta de Joyce. Vi fotos dela hoje e me bateu uma saudade enorme. Um dia ruim, de mal comigo. Minha memória está péssima, estou esquecendo coisas importantes por conta desses choques. Esqueci o nome da filha de Xanda, esqueci se tinha refrigerador em casa, como já disse, esqueci o endereço do trabalho, isso fora as coisas que não me lembro que esqueci. Agora é gostoso quando a anestesia vai fazendo efeito, dá um gosto estranho na boca, algo como alho e depois a consciência vai evanescendo.

domingo, 31 de maio de 2009

Um olhar que não me pertence
Tenso foge de mim
Um olhar e um coração
Juntos como dois irmãos
Em uma só alma
Amo quem não pode ser
Por causa do destino
Desatino o menino
Continua a sonhar
Sonhos de verão
Sonhos de entardecer
Todas as tardes do mundo
Mudo mas sem calar
Ele espera a maré mudar
Muda ela permanece
Embora morra na boca o não
Aflição e ironia
Juventude tardia que faz no meu peito botão
De flor de amor de calor de humor
De tanto amar, de tudo de bom
Um sonho nunca é sonhado em vão
E, por um vão, sei que há de entrar e se aninhar
Suave e intruso em seu coração.

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Depois dos ECTs (estou no segundo e farei o terceiro amanhã) tem me dado uma agonia, uma inquietação, uma impaciência. Não é tão grave/incômodo/doloroso quanto a angústia que vinha sentindo, mas também não é prazeroso. A. disse que isso passa. Graças.
Estou com medo do meu novo emprego (se é que vai rolar mesmo), de não ser capaz de fazer o que me será exigido lá. Espero que seja uma insegurança infundada. A., novamente ele, achou a minha preocupação normal. A. tem sido muito legal comigo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

ECT, EUFRÁSIO, MEDO E PERFIL

Faz meia hora que voltei da minha primeira sessão de ECT. Além de uma leve dor de cabeça não sinto grandes alterações. Pra mim, foi tudo muito rápido. O anestesista aplicou a injeção, disse que eu ia sentir um gosto estranho na boca (o que de fato instantaneamente aconteceu) e logo depois minha vista começou a turvar-se. Depois disso, só me lembro de acordar já com mamãe e Alfredo na sala. Estou confiante no tratamento e fui com a cara da doutora. Pensei que a dor de cabeça (para a qual já estava preparado, pois li num e-book que Alfredo arrumou) seria maior. Tenho outra sessão na quarta. Espero que tudo dê certo. Eu acho que mereço. Chega de inferno existencial. Até acho que já estou melhor (mas deve ser psicológico).

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Fui no sábado para um show no Eufrásio Barbosa organizado por um amigo meu. O Eufrásio é grande e ficou lotado, logo, deu supercerto. Menos pra mim, pois me bateu um bode triste, vomitei pra caramba. Vi mulheres bonitas, mas nenhuma que me fizesse pensar “é essa”. E mesmo se houvesse eu não saberia, nem estava em condições, de me chegar. Encontrei muita gente conhecida lá, mas interagi pouco por causa do enjôo, o que pra mim foi um grande desperdício, pois é raro eu ter oportunidades como essa de encontrá-los.

A coisa mais marcante da noite foram os comentários elogiosos de Aninha, com quem nem tenho muita intimidade, a meu respeito. Fiquei superlisonjeado que ela ainda se lembrasse de nossa conversa anos atrás em Garanhuns e de tê-la achado tão marcante, a ponto de me dizer que eu era um cara do caralho. Foi ótimo ouvir esse elogio nesses tempos em que não me acho nada do caralho.

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Uma coisa que me assusta é como eu sou defasado em relação a outras pessoas. Principalmente profissionalmente. Nunca passei por grandes agências, nem nunca busquei isso. Não construí um nome dentro do meio, coisa que na minha idade eu já deveria ter. Nem portfólio eu tenho. Não sei mexer no Illustrator, o programa que se tornou padrão nas agências. Estacionei no Corel, que hoje é considerado ultrapassado (mas que a mim me serve muito bem).

Além disso, não dirijo e voltei a morar na casa dos meus pais. Duas coisas péssimas pra quem quer ter uma namorada. E, mesmo que dirigisse, nunca ganhei o suficiente pra ter e manter um carro.

Meus irmãos, em contrapartida, estão com a vida superorganizada, estudando e trabalhando no exterior, superqualificados, casados (ou quase), felizes. Ainda bem, prefiro que eu esteja na merda do que eles. Dói menos (mesmo que ainda assim doa pra caramba).

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Pra não perder o hábito:
O que sei dela? Que é uma atéia convicta, que é tímida com quem não conhece, que é bagunçada, meio desastrada, gosta de argumentar, gosta de escrever, que faz Jornalismo, que parou de comer carne vermelha e de galinha, que, ao contrário de mim, sabe guardar as coisas pra si, que é discreta, que tem um monte de amigas fidelíssimas, que é linda como o sol, que é delicada e feminina, que é generosa, bondosa e ética, que não quer ser minha, que gosta de sair, de dançar, de viver. Não sei mais.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

“ALMA-GÊMEA É COMO PEIXE: VÁ PESCAR.”

O título é um conselho do meu irmão que não se conforma com a minha paixão por quem lê e não me ama. Não entende como depois de tantos foras eu ainda não parti pra outra. A questão não é partir pra outra é outra chegar e me arrebatar. E, como já disse em posts anteriores, eu não sei pescar.

Concordo porém que não exista esse negócio de alma-gêmea, a gente é que constrói a relação se adequando as perfeições e imperfeições do outro. O problema é que eu queria construir com ela. E, repito, não sei por que ela. Pode ser que uma outra mulher apareça na minha vida e que nos apaixonemos. Não descarto isso. Espero até por isso. Mas enquanto isso não acontece, meu coração é dela, não tem jeito, nem explicação. As escolhas do coração não se explicam. Será que a amo pela impossibilidade? Para não precisar nunca assumir uma nova relação? Será que a amo por ser a mais difícil de todas e, assim, ser o prêmio, a conquista máxima? Será que a amo pelo que ela é? Pelo seu jeito de levar a vida, por sua beleza radiante e tão única? Será que eu a amo porque amo a família dela? Quem sabe? Eu não. Sei decerto que ela não é minha alma-gêmea, nunca achei isso, sei que haveria várias arestas a aparar, sei da liberdade que ela precisa muito mais do que eu, sei da diferença de idade, sei do grau de parentesco, sei de inúmeros pontos pelos quais ela não será nunca minha alma-gêmea. Mas por outro lado, como almas-gêmeas são construídas, não existem prontas, acho que faríamos um ótimo par, seríamos um casal alegre, feliz, de alto-astral, como fomos um dia eu e Joyce, só que de uma nova maneira. Acho que riríamos bastante um com o outro. Bah, a família dela nunca aceitaria a relação. Tio B. ficaria uma arara só de ler esse texto. Quem iria querer a filha com um doido? Ainda mais primo? Sabendo de todos os meus vacilos? É, a parada não é nada fácil. Além do mais importante: ela não gosta de mim. Nem considera a possibilidade. Não consegue nem imaginar a situação.

Deveria eu partir pra outra? Sem dúvida. Mas eu não sei fazer isso. Aliás, sei. Preciso sair mais. E mudar de atitude, ser confiante, incorporar o conquistador, parar de ter medo de mulher, de me achar um bosta sem nenhum atrativo, acreditar no meu taco.

Tá fácil, seria como me virar ao avesso, me reinventar, me transmutar, melhor dizendo. Uma metamorfose difícil de operar. Acho que só com muitos anos de terapia pra algo assim acontecer. O que eu queria que acontecesse (além da opção 1, obviamente) era que alguém legal e bonita cruzasse o meu caminho, me achasse interessante e estivesse disposta a conversar bastante, até eu perder a pulha, até eu me aclimatar com a situação, até eu ter coragem de partir para o contato físico. Acho que precisaria de mais de um encontro. Não é impossível. Só improvável.

O que vai acontecer? Qual das opções? Não sei. Só sei que a mais difícil é a qual mais me dedico, com essas palavras idiotas.

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Ouvindo Belle & Sebastian, The Boy With The Arab Strap.

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Irmão, prometo sair mais quando esses tratamentos passarem (ou amenizarem) e eu voltar a receber salário. Não se preocupe que minha paixão não me impede de olhar em outras direções. E também não estou completamente cego em relação à impossibilidade de minha paixão se concretizar. Eu só não consigo aceitar isso, porque acho o que eu sinto belo e virtuoso, não uma aberração. Em suma, não vou perder a oportunidade de partir pra outra, se essa oportunidade – ou essa outra – aparecer. Meu coração não está fechado, só existe alguém o ocupando nesse exato momento (que pode não ser o próximo). A vida é cheia de surpresas, pode ser que a minha ainda me reserve algumas. ;)

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Vixe, cansei de falar desse assunto, chega me deu um certo enfado de quem lê e não me ama. Bem o que você queria, né, irmão?

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Continuo sem libido. Vou falar com a médica.

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Nenhum contato da moça do trabalho ainda.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

JOYCE

Um furacão que virou minha vida ao desavesso. Nos fez um lar. Um monte de confusão. Linda. Explosiva. Expansiva. Apaixonante. Às vezes triste. Sempre arruma um jeitinho. E tem um jeitinho que é só seu, que só ela sabe dar. Brigona. Voluntariosa. Charmosa. Deliciosa. Amiga pra todas as horas. Maníaca por higiene bucal. Criançona. Engraçada. Organizada e organizadora. Econômica. Sentimental. Melodramática. Agoniada. Elétrica. Excelente fazedora de amizades. Quer fazer moda e adora inventar moda. Quando é não, é não mesmo, não tem conversa. Quando é sim, é uma maravilha. Não tem talvez. Inesquecível.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

DO PERDÃO

Hoje, aqui no vizinho, veio uma moça Hare Krishna (é assim que escreve?) para preparar comida vegetariana. Uma figura muito peculiar, como é possível imaginar, e muito simpática. Disse que foi amiga de infância de Chico Science (o “Chiquinho), dentre muitas outras histórias. O que mais me impressionou, no entanto, foi a dicção dela, era possível ouvir o “i” de manteiga e os erres de cada infinitivo. Diga aí.

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Fui perdoado e desde então meu coração desfruta de uma nova e reconfortante paz. Estou mais leve, bem mais leve, como há muito tempo não me sentia. Muito tempo mesmo. Anos. Ainda bem que tive coragem de pedir perdão (o que não foi nada fácil). Hesitei muito antes de dar o enter no MSN. Claro que não foi ao vivo. Nunca teria coragem ao vivo.

Me sinto grato, muito grato a você.

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Há um perdão que nunca receberei e que sempre vai pesar sobre mim: o de V. O que eu fiz com ela foi desamor, da maneira mais cruel e mesquinha. Mesmo havendo a hipótese eu não mereceria este perdão, pois eu mesmo não me perdôo pelo que fiz. Pelo menos me serviu de dura lição, para nunca mais repetir algo tão venal a alguém que me ame. É mais justo por um fim a chegar ao ponto de trair. Fui covarde, covarde. E acabei tornando mais negra e sombria uma alma que era só luz e pureza, que era só sim. E que só me queria bem. É muito doloroso fazer mal a alguém que só lhe quer bem, alguém que se dedica de corpo e alma a você. A última pessoa a merecer um mal meu. E eu o fiz. Por isso não me perdôo. Por isso não tem perdão. Deixar uma alma mais feia é algo muito feio de se fazer.

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Por outro lado, acho que perdôo com facilidade, acho que sei me colocar no lugar das pessoas.

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Perdoar é tirar de si um ranço, uma mácula, um peso. Perdoar é dar mais uma chance, dar mais um tempo, é se dar mais uma vez. Perdoar é como uma faxina da alma, onde varrem-se mágoas, limpam-se rancores e deixa-se tudo pronto pra outra (na espera que outra nunca venha, pelo menos não da mesma direção). Perdoar é resgatar a confiança, é por fim a conflitos. Perdoar quase sempre é difícil, mas também quase sempre necessário. Perdoar deixa a alma mais leve. Quase tudo é perdoável. Infelizmente quase.

terça-feira, 19 de maio de 2009

NOVA LEITORA, VELHOS ASSUNTOS

Descobri mais uma leitora! :D

E pensar que ela lê estas mal digitadas linhas dá um misto de vergonha e orgulho.

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Hoje passei a tarde a um cômodo de distância de quem lê e não me ama. Foi bom sentir que ela estava ali por perto, que poderia estar ouvindo minha voz nas conversas com T. e N. A vi de relance, na confortável poltrona da sala, hesitando entre ler um livro e ver um seriado na TV (acho que o seriado estava ganhando). Foi o suficiente pra ganhar meu dia.

Achei o novo Orkut dela. Coloquei a seguinte mensagem: "infelizmente, te achei. :)"

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Nenhum contato ainda da moça do meu novo trabalho. Apreensão.

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Do que eu tenho mais medo nos dias de hoje? De desemprego e de solidão. E de ter um problema de saúde e ter que ser atendido pelo SUS.

A vida sozinho me dá liberdade demais, privacidade demais, tédio demais, o que inevitavelmente me leva às coisas ruins. Além do mais a casa vazia parece ecoar uma certa tristeza, um silêncio melancólico. Não me dou bem só comigo mesmo, é preciso mais alguém, alguém que me tire de mim e me mostre outras coisas, traga outras coisas, para que cada volta ao lar seja de alguma maneira uma experiência diferente. Por enquanto vou viver com meu pai, pois é mais perto do putativo trabalho (e porque minha mãe quer um tempo de mim). Depois, não sei. Começo a acreditar que vou ficar solteiro pro resto da vida. Coincidências como Joyce não acontecem duas vezes para uma mesma pessoa e não sou de nem sei ir à caça. Quem lê e não me ama vai continuar assim, a não ser por um milagre. Então, a temporada na casa do meu pai promete ser loooonga. Isso se ele ou a esposa não implicarem comigo, aí vou ficar num mato sem cachorro, dependendo de qual seja o meu salário (que ainda não me foi comunicado).

Não queria ser eternamente só, mas também não queria ser mal acompanhado. Queria ter alguém do bem que me quisesse bem e eu a ela e que, de preferência, fosse gatíssima, pois reparo muito nessa coisa da estética. ...Tá fácil eu conseguir tudo isso... ah, a solidão que me espera. Saco.

Ah, como pude esquecer: tenho medo de piorar do juízo de novo. Muito medo.

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Não sei por que, mas acho que vou conseguir envelhecer nesse trabalho. Quero muito ter estabilidade profissional e acredito que nessa firma vou ter. Tenho que me dar de bem, tenho que conseguir fazer o que esperam de mim (que nem sei bem o que é). Espero não queimar minha língua nesse caso.

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Escrevo tanto neste blog por pura falta do que fazer. E também porque é o que mais gosto de fazer.

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Ela foi descer com o cachorro ainda agorinha e falou comigo! Agora, ganhei a noite também! :D

segunda-feira, 18 de maio de 2009

COMO DESAMAR?

Lisonjeada. Em vez de constrangida. Era o que eu queria que ela ficasse ao ler o meu blog.

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Por que não desisto deste amor supostamente platônico (supostamente porque pra mim ele é bem real e possível)? Como é que se desiste de um amor que eu não sei? Como desamar? Se eu ainda guardo um pouco de amor, um pouco de afeto, um pouco de tesão por cada mulher que amei? Como desamar então? Meu coração não sabe, eu não sei. Por que ela? Porque ela sempre me encantou, desde menina e, desde menina, teve um momento em que alguma coisa deu um clique, um estalo e desde então, estou assim estalado. Ela nem fala mais comigo. Nem me dá mais oi. O abismo entre nós está cada dia mais imenso. E eu continuo cavando através dessas palavras. Mas como parar de escrever se é só através das palavras que consigo amá-la? Pelo menos isso nós temos em comum, amamos as palavras. Embora ela seja mais seletiva em relação às dela e eu saia escrevendo tudo que me jorra da mente e do peito afora.

Como esquecer o que quer se fazer lembrado? Como desistir se ainda há fé na luta? Como abrir mão da coisa mais bonita que carrego? Como apagar de dentro de mim algo que parece que sempre esteve presente? Eu não sei. E pra falar a verdade, nem quero saber.

TIDBITS II

O casamento mencionado no post anterior foi o bicho. Encontrei com várias pessoas amadas e conhecidas que não via há séculos, coloquei o papo em dia um pouquinho com cada uma. As mulheres estavam lindas, em especial Maria. Conheci o filho de uma amiga que tinha uma curiosa fixação por seios e sempre que estava no colo da mãe, enfiava a mão vestido a dentro para pegar-lhe o peito. A certa altura da festa sentei-me ao lado de quem lê e não me ama (que obviamente estava esplendorosa em seu vestido cor de sangue) e nossas mãos mais de uma vez quase se tocaram quando eu ia cinzar o meu cigarro. Um ímã impelia minha mão a fazer o contato, mas meu autocontrole falou mais alto. Graças. Ela ficou virada para o outro lado e não me dirigiu um olhar ou palavra sequer. Pelo menos sentou ao meu lado, o que foi suficiente para me deixar extasiado.

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Concordo com o que o psiquiatra José Carlos Escobar disse no rádio: em vez da maconha é melhor utilizar os recursos do Estado para combater a mais avassaladora das drogas, o crack. Ele defendeu também que a maconha não é necessariamente porta de entrada para outras drogas e que o álcool está muito mais relacionado com a dependência de crack que a nossa querida erva. Ressaltou ainda que em vários países do mundo vem-se adotando uma política de tolerância em relação à cannabis e que o Brasil não deveria ficar atrás.

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Fiz uma entrevista de emprego hoje. 80% de chance de eu ficar, segundo a dona. É um pouco fora da minha praia, o que me deixa apreensivo, mas acho que consigo desenrolar. Ainda não sei valores, mas, se tudo der certo, começo primeiro de julho. Torçam por mim.

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Eu fico só querendo expor meus sentimentos por ela aqui, o que é uma mania chata. Eu já nem tenho formas outras de dizer o que já foi dito e redito tantas vezes, mas mesmo assim, o fato de saber que ela vai ler, desse blog ser um elo entre mim e ela, me motiva. Isso é um saco pros outros dois leitores, bem sei. Mas eu gosto de fazê-lo porque me alivia o peito da pressão desse querer enorme (embora saiba que isso me distancie ainda mais dela na vida real, posto que a deixa ainda mais empulhada com a minha presença). Fico procurando palavras bonitas, palavras-passarinho, palavras-colibri, alguma forma de descrevê-la como a vejo, linda, linda. Alguém com uma alma boa, limpa, apesar de abusadinha. Alguém que pode ser uma grande amiga, como eu sei que o é pra outras gentes. Alguém que tem poesia no olhar e no viver. Poesia, essa é a melhor definição dela pra mim. Toda você é poesia, meu amor.

Ei e o nome deste blog é As Cartas de Amor, então escrever essas baboseiras tá totalmente dentro do contexto!!!!!

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Estou me sentindo distante do meu primo mais próximo. Isso não é bom e nem sei por que se dá. Sei apenas que percebo o distanciamento nas nossas conversas e isso me incomoda.

sábado, 16 de maio de 2009

SE REDUNDO, CONSISTO

Redundância é um defeito, mas, por outro lado também, é uma prova de consistência das idéias-sonho que tenho. É prova também de que falta-me algum tipo de renovação, de novos ares, de novos acontecimentos. Hoje, vai ter um evento que talvez traga um novo alento a estas bandas. Um casamento ao qual irei de semi-penetra (existe semi-penetra, sim, eu não fui convidado, mas disse ao irmão da noiva – que é meu grande amigo – que iria). Espero trazer novas notícias deste acontecimento.

Pelo menos estou remoendo menos minha depressão, o que significa que ela está ficando pra trás, graças!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

TIDBITS I

Hoje fuleirei na dieta. Um Big Tasty (nem gostei do sanduba, péssima pedida), uma coca e uma batata médias. Buuuuum.

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Desculpem-me meus 3 leitores pelos tópicos redundantes sobre amor, mas, admitamos, não há como não ser redundante sobre este tema.

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Pobre de quem lê e não me ama. Carregar junto comigo este carma. Era tão bom que ela nem ligasse, mas eu acho que há um incômodo em sua alma por causa de mim. Melhor seria haver um cômodo! Hahahahahaha.

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Minhas mãos estão tremendo. Cafeína e nicotina demais, creio.

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Os preços do cigarro estão um absurdo. Sacanagem impedir o pobre de fumar, ele já tem tão pouco pra se contentar.

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Continuo com medo do meu futuro profissional. De não dar conta do recado. Eu nem quero mais dominar o mundo democraticamente. Botei os pés no chão. Quero apenas levar uma vida honesta e decente, sem muitas privações. E, de preferência, com alguém para amar/repartir. Chega de sonhos megalomaníacos, quero o simples, o aqui e o agora, sendo produtivo e tendo um tempo pra curtir a vida. Quero minha doença sobre controle também. Sem dúvida desejo muito isso. Quase todas as encruzilhadas em que meti foram por culpa dela. Chega. Já me atingiu, destruiu, massacrou demais. Preciso de um tempo, um longo tempo longe dessas sensações daninhas.

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Ganhei uma camisa da Nike irada daquela do aniversário de 2 posts atrás. Dry Fit e tudo o mais. Mó chinfra.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

QUE NOJO, NUNCA ESQUEÇO

Nunca esqueço o que minha tia disse quando lhe revelei, lá nas Alagoas, meus sentimentos em meio a garrafas de vinho muitos anos atrás: “o que não faltam na família são casos de primo com prima, casados e com filhos até, não esquente com isso, não”. E então, pra cortar o meu barato, me vem à cabeça aquela frase de quem lê e não me ama: “que nojo”. E aí volto à impossibilidade.

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Que nojo, que nojo... pode o amor ser nojento ou como diz o poeta toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar? Excluindo a pedofilia, que nem sei se é forma de amor, eu concordo com o poeta.

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Que nojo, que nojo... eu devo ser realmente muito nojento aos olhos dela. E eu até entendo, ainda mais depois de tudo o que posto aqui. Mas esse é o meu espaço. O espaço mais meu que possuo e nele me dou completa liberdade de ser o que sou e o que quero ser. É o meu espaço de sonhar, reclamar, chorar, sofrer, sorrir. Sei que a vida é que deveria ser esse espaço e é. Isto é minha vida transformada em palavras. (Novamente sendo redundante).

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As palavras da minha tia não me saem da cabeça. Mas em que elas ajudam no meu caso, se o fator principal da rejeição não é esse e sim, que eu simplesmente não faço o tipo dela? Sou muito velho, muito enrolado, muito gordo, muito sem juventude, muito nada a ver (como provavelmente ela colocaria).

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Que nojo, que nojo... tão nojento ao ponto de não merecer nem a consideração de uma chance, bem sei.

Será que o tempo ficará um dia do meu lado? Ah, o tempo... tão doce quanto traiçoeiro.

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Que nojo, que nojo, infelizmente, apesar da sua torcida, titia.

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Miou a dieta do post anterior, pois acabei jantando na comemoração do aniversário da pessoa citada no post anterior (a da história da putativa lésbica). Aliás, pensando bem, a dieta era uma agressão ao meu organismo mesmo, melhor comer pouco, mas comer todo dia.

Acho que estou tomando café demais, pois todo dia agora fico enjoado.

Hoje comi: à tarde uma fatia da torta que sobrou do aniversário daquela do post anterior e agora à noite uma saladinha. Será que isso emagrece?

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Um milhão e trezentas mil famílias recebendo de forma irregular o Bolsa Família. Das quais 110 mil compraram carros e até caminhões novos no último ano. E o pior: 60 mil políticos também recebendo o bendito benefício. Estou chocado. Não imaginei que a falta de civilidade e de escrúpulos tomasse proporções tão dantescas em nosso país. Que nojo, que nojo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CARTAS DE AMOR ILUDIDO

Estou meio enjoado. Acho que foram cafés e coca-cola zero demais. Não comi nada hoje. Perder 20 kg. Acho que consigo passar 2 dias sem comer. No terceiro como e passo mais 2 dias sem comer. Será que funciona? Será que consigo fazer isso sem despertar suspeitas em mamãe? Ela não aprovaria a dieta, por achar radical demais, creio.

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Estou muito emocional, querendo falar de amor. Deve ser carência ou minha libido voltando.

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O amor desgasta quando se desgasta.

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O amor dos primeiros dias, aquele mais doce e inebriante não sobrevive muito, nem poderia, senão seríamos eternamente incapazes de viver o resto. O amor dos primeiros dias consome muito porque nos entregamos muito a ele. É preciso algo mais para seguir em frente quando o amor dos primeiros dias evanesce, admiração mútua e cumplicidade, no mínimo. Seria bom tesão mútuo também. De qualquer forma, o amor dos primeiros dias é o maior barato de todos. (Começo a ficar redundante...)

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O ciúme é o pior efeito colateral, o veneno do amor. É como ácido que corrói a alma. Graças à experiência, cada vez menos sofro desse mal tão desnecessário e infundado, na maioria dos casos. Os casos em que o ciúme é válido e justificado são casos perdidos. Não consigo crer que quem gosta de fazer ciúme goste mesmo da outra pessoa, afinal, quem ama não quer fazer o outro sofrer. Pelo contrário.

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Tomei mais coca zero e fumei 2 cigarros e o enjôo bateu de novo.

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Eu tenho medo, receio, vergonha de quem lê e não me ama. É como se diante dela eu diminuísse, virasse um menino bobo e indefeso, trocando os pés pelas mãos. Ela é tão enorme e resplandecente dentro de mim que me ofusca, me empurra para um canto, encolhido.

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Com a outra pessoa que lê e me ama de um jeito diferente do meu, não sinto isso. Nossa intimidade não se dissipou com o fim do relacionamento. E isso é bom, virtuoso e saudável. Pros dois, acho. Acho que pra mim ainda não caiu a ficha que somos só amigos. Mas está caindo.

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Ouvi agora uma história de amor impossível de uma putativa lésbica por uma mulher bem casada (e totalmente hetero) (amor este declarado através dos presentes dados pela primeira a guisa do aniversário da outra) e me lembrei da impossibilidade do meu amor. Até pelo comentário de quem lê e não me ama sobre a história: “que nojo”. Deve pensar assim também do meu amor. E eu fico pensando na coragem que a putativa lésbica teve que acumular para ultrapassar o ridículo do seu ato e dar voz ao seu amor. Mesmo ante a impossibilidade o amor falou mais alto e fez a putativa lésbica cometer o desatino de se declarar. Sei bem o que é isso. Sei do pesado ridículo, sei da força do amor para sair debaixo desse peso e se manifestar. Sei também do alívio de soltar algo tão imenso de dentro do peito. A alma é tomada por uma leveza imensa, porém momentânea, pois cedo ou tarde o peso do ridículo novamente pousa sobre o sentimento liberto.

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Sem dúvida fui e sou o primeiro a amá-la. Será que serei também o último? Ai, ai, vida dos desencontros.

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Será que perdendo 20 kg me torno mais atraente para alguém? Espero que sim. Vou deixar meu cabelo crescer até o tamanho do de Bono em Rattle & Hum, dessa vez não vou desistir. Já começam a ficar brancos e quero antes de me tornar grisalho. Não sei se com isso vou ficar mais atraente para os outros, mas vou realizar um sonho de infância. Não deve ficar muito ridículo, dizem que meu cabelo é bom. Está decidido.

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Será que alguém jamais será capaz de vê-la mais bela que eu? Acho tão difícil...

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É incrível como tudo sobre o amor já foi dito antes e melhor.

terça-feira, 12 de maio de 2009

INTUIÇÃO FEMININA

Minha intuição feminina funcionou! Lá-lá-lá lá-lá lá :)))))))))

Indescritível como um sim pode me deixar tão feliz. A você que lê e não me ama, eu sou isso que é escrito aqui. O melhor e o pior de mim estão nessas palavras, tudo que se passa nesse ser que sou. Se você lê, me conhece intimamente.

PRECISO

Preciso perder 20 kg

Preciso de um emprego

Preciso de alguém para construir um lar

Preciso sair mais

Preciso voltar a tomar minhas biritas

Preciso ser feliz honestamente

Preciso dela

Preciso de um Wii funcionando

Não preciso de um laptop

Não preciso de tristeza

Não preciso de solidão

Não preciso de apatia

Preciso mas não quero fazer exercício

Preciso mas não quero parar de fumar

Preciso mas não quero esquecê-la

AMIZADE, AMOR E SEXO

Eu achava que o amor era uma amizade regada a sexo. Mudei de idéia. Eu posso fazer sexo com uma amiga sem necessariamente estar apaixonado por ela, sem amá-la. O amor vai além do afeto entre amigos, há um encantamento, um deslumbramento pelo outro que na amizade não existe. Há também um carinho, um se dar que precede e procede o sexo. O amor é um sentimento mais completo, o mais completo, ele engloba e transcende a amizade e requer um contato físico que vai muito além do sexo, que é feito de carícias, de olhares, de colo, de pequenos e imprescindíveis gestos. Com seus espectros emocional e sensorial tão abrangentes, não é a toa que dizem que o amor nos completa.

Eu gosto de amar, gosto de construir tijolinho por tijolinho uma relação, gosto do sentimento de estar nas nuvens, gosto da saudade e de matar a saudade, gosto da intimidade cada vez maior e mais plena, gosto dos carinhos e carícias, gosto de dar prazer sexual a quem eu amo, gosto da cumplicidade, gosto até das brigas para aparar as arestas, gosto de dormir junto, de ver meu amor dormir, gosto de sua nudez, gosto de vê-la palitando os dentes, gosto de vê-la com roupas bem largas e confortáveis, parecendo uma menininha perdida dentro delas, usando uma camiseta minha, gosto quando ela se veste para arrasar, gosto de suas sobrancelhas, adoro sobrancelhas, gosto de lambê-la, mordê-la, apertá-la, gosto de vê-la existindo, com seus gestos tão particulares, gosto de ouvir seus segredos e as coisas do dia-a-dia, gosto de ver filme junto, gosto de cozinhar junto, gosto de tomar banho junto, gosto de passear junto, gosto de tomar umas junto, de sair com os amigos, gosto de cantar junto, de jogar dominó, gosto até de fazer compras junto, gosto, em suma, de estar junto de quem eu amo, sem tolher sua liberdade e sem ter a minha liberdade tolhida. Queria ter alguém para amar.

Sou devagar na arte da sedução, não sei fazê-lo a não ser com muito papo. Preciso de um pouco (poucão) de intimidade para poder me sentir seguro e me aproximar. A birita me ajuda a ter coragem, mas sou tão tímido, que mesmo com a desinibição alcoólica eu fico travado, tenho vergonha. Tenho vergonha do sexo também, sempre acho que vou dar vexame, que vou gozar rápido, que meu pau é pequeno (embora esteja dentro da média nacional). A primeira vez com uma pessoa pra mim é um pesadelo de insegurança, me sinto pisando em ovos, como se fosse virgem. Mas, mesmo assim, ainda acho estar apaixonado o maior de todos os baratos. E, quanto mais suada a conquista, mais doce a vitória, né?

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Por que não aprendi a ficar como todos os meus amigos, eu não sei. Baixa auto-estima talvez. Por outro lado se tivesse aprendido talvez tivesse tido várias relações insignificantes, ao contrário das poucas e profundas que tive. Ganharia em quantidade e perderia em qualidade. Sei lá, de repente não, de repente eu estivesse casado agora. Bom, mas não foi assim e não é assim. Tenho que me virar com o que sou. E acho que sou um cara legal. Ou gostaria de achar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

VAGAS EMOÇÕES

Eu acredito que quem não me ama ainda lê este blog, não sei por quê. Uma intuição feminina talvez.

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Fiz uma declaração/depoimento de Orkut que não devia. Ou devia a mim mesmo. Sei lá, está feito.

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Eu quero a sorte de um amor tranqüilo.

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Eu quero aprender a me chegar a uma garota. Eu quero aprender a ficar. E quero aprender a gostar de ficar. Acho que eu não nasci pra ficar. Eu preciso conhecer um pedaço da alma antes de conhecer um pedaço do corpo. Acho que sou careta ou romântico demais. Ou tímido demais para essas coisas.

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Eu gosto mais de carinho do que de sexo (embora sexo não deixe de ser uma espécie de carinho). Minha libido adormentou-se.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

OPINIÕES

Ouvindo Estrangeiro de Caetano. Estou meio travado pelos remédios. Teimo em interpretar no texto daquela que não me ama e não me lê uma menção. Prova de que as palavras têm uma face para cada leitor. Aliás, como é possível haver interpretações tão díspares para um mesmo texto? Como podem ser tão flexíveis as palavras a ponto de se desprenderem da intenção original do autor e ganhar outra vida sob novos olhos? Será impossível escrever algo que seja igualmente compreendido por todos os leitores? A casa é verde. A batata está barata. A partir daí tudo toma um significado transitório, transitando entre os ânimos de cada leitor. Até as leis que são escritas da forma mais clara e precisa possível são passíveis de interpretação. Isso meio que me angustia porque sonho que estou compartilhando a minha visão com o mundo, mas os poucos que me lêem (se alguém) podem ter visões totalmente outras do que escrevo. Como alento, essa mesma flexibilidade me permite interpretar o texto daquela que não me lê e não me ama da forma que mais me apetece. :]

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Será que essa enxurrada de propagandas institucionais sobre posturas ecologicamente corretas das empresas ou de como apóiam a nossa cultura ajuda a formar uma opinião pública mais consciente em relação à preservação ecológica e à preservação das nossas raízes culturais ou o excesso leva à banalização destes temas?

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Existe amor entre homem e mulher sem tesão?

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Será que a poesia está morrendo? E se estiver, que beleza haverá num mundo sem ela?

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A beleza é sempre poética? A mim sempre será. Chamar alguém de popozuda é apoético. O que me leva a crer que a poesia está sendo trocada pela vulgaridade. Ou seja, pela explicitude feia, chata e banal. Me atrai mais o decote que os seios expostos. Que estes se exponham na devida e poética hora.

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Não há nada mais belo que a juventude feminina. Nem mil Rios de Janeiro.

domingo, 3 de maio de 2009

ROMANCETES

Os dedos roçaram de leve. O dele e o dela. Houve intenção. Dele. Tímida intenção. E um choque elétrico percorreu a sua espinha. Ela deixou os dedos ficarem assim, encostados. Não era possível dizer que isso era um sim, tão leve era o contato. Mas certamente não era um não, pois ela sentia o toque mesmo que leve. De repente, ela levantou a mão e fez um gracioso movimento com o cabelo. Contato desfeito, mas por pouco tempo. Ao final do movimento pousou sua mão sobre a dele. Ela também havia sentido o choque percorrer-lhe a espinha da primeira vez. Ele segurou a mão dela com uma mistura de firmeza e delicadeza. Ele tinha mãos delicadas. E é isso. Estão juntos até hoje. E adoram andar de mãos dadas.

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O presságio do beijo. Os corpos cada vez mais perto um do outro. O contato físico mais constante, mais desejado, mais pegado. Enfim, os corpos se aproximam, frente a frente. Ele tira o cabelo dela do rosto e com carinho o prende atrás da orelha. A mão volta e segura de leve o queixo dela. Os olhos muito dentro um do outro. Ele aproxima seu rosto e, com seu nariz, faz carinho no nariz dela. Os olhos se fecham. Respiram o mesmo ar e o beijo se dá.

sábado, 25 de abril de 2009

OUTROS LADOS

O que a minha mãe não leva em conta é que há a dependência química/física, mas também há a psicológica. Afinal há viciados em jogo, em compras e sei lá mais em quê. Eu tenho, no mínimo, uma dependência psicológica da cola, a busco para preencher meus vazios existenciais (que não são poucos). Pra minha mãe, dependência psicológica não existe. Se não existe, por que eu correria tantos riscos, agiria de forma tão dissimulada e magoaria tanta gente para poder ter o prazer de cheirar cola? Não teria nexo eu fazer tudo isso se não houvesse alguma forma de dependência, algo que me impelisse a passar por cima dos meus valores para obter tal prazer (que por sinal, sei de antemão, me traz ressacas terríveis).

Tenho certeza que, se ela lesse o que acima está escrito, discordaria de tudo. É como descrever cores para um cego.

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Hoje estou com o astral ligeiramente melhor que nos últimos dias, apesar de tudo o que ocorreu ontem. Não sei se há uma correlação entre uma coisa e outra, mas gostaria que não houvesse.

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Me sinto mais sozinho quando ouço a galera fazendo farra lá embaixo e eu sem poder participar, porque sei que me têm como um censor, porque sei que ficam constrangidos com a minha presença. Como se eu fosse me incomodar com quem fica com quem ou com quem faz o quê. Já fiz e vi mais e pior, como certeza. E, com certeza também, soube manter a discrição. É uma pena que eles – ela – não vejam as coisas assim e não vejam como é triste e solitária a minha condição, fumando cigarro no hall escuro e ouvindo a cantoria, as risadas, o estalar das bolas de sinuca, o bate-bate do pebolim, as conversas, enfim, todo carnaval sonoro peculiar dos amigos se divertindo.

Não sou amigo, mas gostaria tanto de poder ser. Não me acho ridículo por isso ou pela minha idade. Não mesmo. Eles – ela –, provavelmente, sim. Tanto que da última vez, nem interfonei perguntando se poderia me juntar a eles. Mas como quis... como quis.

EFEITOS E CONSEQÜÊNCIAS

Carinho é se dar. Eu gosto de me dar (embora não crie ou não saiba criar oportunidades para isso).

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Eu gosto de água, de banho, e cada vez tenho menos medo de morrer afogado.

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Acho lindas vistas panorâmicas, mas morro de altura, tenho vertigem.

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Queria muito que quem não mais me lê e não me ama, voltasse a seguir meu blog. Se ela soubesse o quanto isso é importante pra mim...

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É como se as coisas passassem bem rápido diante de mim e eu conseguisse perceber quais padrões permanecem, que imagens são constantes.

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É como se o mundo se tornasse um orquestra de sons e imagens, perfeita em sua harmonia, exuberante em sua riqueza de tons e semitons.

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É como se eu fugisse dos conceitos de mim e do mundo e visse a mim e ao mundo como realmente somos. Belos, puros, harmônicos, perfeitos.

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Êxtase com comunhão e interação absoluta entre mim e o que não sou eu. Este é o ápice.

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Como se minha cabeça fosse enorme e estivesse enormemente vazia. Este é o fim.

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Não deveria causar dor a mim nem, principalmente, aos outros. Tudo tem seu preço. Gostaria de achar o custo benefício inválido. Eu vou achar. Eu preciso.

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Detesto agir como um gatuno, mas é a única forma de me dar isso. Quero uma ressaca bem grande. É isto que busco desta vez. Para que fique longe de uma vez por todas da maldita. É que vejo como um carinho que me dou. Uma fuga do que me oprime, um momento de prazer em meio a tanto sofrimento existencial. Preciso pegar abuso porque, depois do ECT não quero usar nunca mais. Uma ressaca bem grande é fundamental.

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Fui pego antes do tempo, aliás, bem no começo. Não deu nem pro cheiro, literalmente. Pelo menos a fissura diminuiu. Tenho que me convencer de que foi a última vez. Resistir às possíveis e prováveis fissuras que virão. Provavelmente só assim terei uma vida normal. Será que quero uma vida normal? Quero, se gostar de vivê-la. Não quero causar mais dor à minha mãe. Dói em mim. É ruim sobre todos os aspectos. Tenho que esquecer esse prazer fugaz e destruidor.

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Tenho medo do ECT não funcionar. E, principalmente, de acharem por isso que é tudo frescura minha. E eu ficar no mato sem cachorro.

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Tenho medo do meu futuro profissional. De não conseguir achar emprego. Esse é, de longe, o meu maior medo. Ninguém vai aceitar um cara feliz (sem depressão) e sem emprego.

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Estou tendo/dando uns suspiros estranhos, fora de hora, coisa que nunca havia me acontecido. Será finalmente o coração cobrando seu preço?

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Queria deitar no colo de Joyce ou daquela que não lê e não me ama. Queria fazer carinho no cabelo delas, tocar de leve seus rostos, desenhando suas feições com meus dedos. Queria poder rir com elas, como se não houvesse passado, como se tudo fosse uma grande novidade, sem rancores, vergonhas ou mágoas.

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Queria dar um Ctrl Alt Del na minha vida e que, de preferência, a máquina não reiniciasse. Na verdade, queria mesmo é não pensar assim.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

DO CARINHO

Acho que das facetas do dito amor a que mais me apetece é o carinho. Carinho é a leoa lambendo a cria. Carinho é aquilo que se dá de graça, é um fim nele mesmo, não pede retribuição. O carinho feito é dado automaticamente a quem faz, afinal, sentimos nas pontas dos dedos o afago oferecido. O carinho é a declaração do amor em gestos. Sinto falta de dar carinho. Acho que gosto mais de dar carinho que de receber.

DIA DO ÍNDIO


Passei o dia com Joyce e mamãe. Fomos a Olinda, ao Oficina do Sabor. Foi gostoso, a comida, o clima, a companhia. Joyce me tratou com mais carinho que de costume, quase como se ainda estivéssemos juntos. Quase. Fomos depois ao shopping e mama me deu o CD de Yoñlu, um guri que se suicidou com 16 anos, acho, e que deixou umas músicas e alguns esboços de música no computador. A maior parte do CD são micro-músicas, mas gostei das que podem se chamadas realmente de canções. A voz delicada e as melodias ao violão, além do suicídio, evocaram pra mim Nick Drake (que Berna não me ouça).
Me senti bem no geral, mas não poderia dizer que estava feliz. Contente. Foi uma ótima tentativa delas, no entanto. Com o astral que carrego, não poderia ter sido melhor (só se mamãe não tivesse feito tanta barbeiragem pelas velhas ladeiras olindenses!).

ABRIL PRO ROCK 2009


Rock sem cerveja, você já viu, né? Mas mesmo assim resolvi encarar a segunda noite do Abril 2009. Encontrei Zé Guiga na entrada. Estava rolando The Keith, um rock com guitarras distorcidas, uma certa melodia e pouca personalidade. Entrei na apresentação do Retrofoguetes. Boa banda, ótimos músicos, bons de palco, vestidos com o que pareciam ser fardas de gari. Faziam uma espécie de surf music instrumental, ligeira e cheia de energia. Têm talento, mas o nicho musical é muito específico. Depois veio a Heavy Trash dos Estados Unidos. Também com um competente e animado show, embora a platéia fosse pequena (achei o público pequeno para o que sempre foi o Abril Pro Rock). De Trash a banda não tinha nada, fazia um rock meio Elvis Presley misturado com, arrisco dizer, blue grass, com uma violão meio caipira. O vocalista estava animado e tentou interagir bastante com a galera, pena que a maioria não entendia (por faltar o Inglês necessário e porque o som não ajudou). Talvez esteja desacostumado a shows de rock, mas achei o volume em geral, alto, o que fazia para mim, pelo menos, os sons se misturarem.

Depois do Heavy Trash, foi a vez da pernambucana Volver, que, pelo que vi, já tem um séquito de adoradores por aqui, que entoaram as canções e acompanharam entusiasticamente a apresentação. Achei a banda um diamante bruto, a ser lapidado. Tem potencial para criar hits, boas melodias, mas por vezes se perdem, seja nas letras, seja na postura de palco. Achei interessante de ver e, com o apoio certo, acredito que possa estourar.

Seguindo o Volver veio a galera do Vanguart. Foi quando eu dei uns pegas com a turma do Paulo Francis (muito legais). Fiquei me indagando quanto seria o cachê da banda (com DVD gravado pelo Multishow e tals). Pensei ser algo em torno de R$ 10.000,00, mas um casal de amigos disseram achar que não passava dos R$ 5.000,00 mais passagem e estadia. Pode ser. Acho o som do Vanguart meio amelódico e repetitivo e a voz do cantor me pareceu, quando microfonada, mais estridente que imaginava. Não tenho nada contra a banda, mas também nada a favor. Espero que saibam aproveitar este momento em que os holofotes estão virados para eles.

Já doidão, veio a vez dos Móveis Coloniais de Acaju, que me pareceram, a princípio, uma banda de axé, só que com muitos metais e quase nenhuma melodia. O vocalista ficou pedindo coisas engraçadas ao público, como, por exemplo, para todo mundo se acocorar. Além do vocalista incansável, chamou-me a atenção um trompetista completamente endiabrado, (parecia até quimicamente endiabrado), que pulava, corria e fazia mungangas o tempo todo no palco. Minha amiga achou os brasilienses parecidos com banda de baile de formatura. No final, entretanto, as coisas melhoraram um pouco com um belo instrumental bem viajadão e com uma espécie de ska (creio que músicas do primeiro trabalho da banda [o show foi baseado no segundo CD, capitaneado por Miranda]). Foi engraçado assistir doidão a esta pululante apresentação, embora ache que tenha sido algo diferente do que o pessoal esperava da banda (tiro pelo que Zé Guiga me falou sobre eles na entrada do APR).

O Mundo Livre sucedeu os Móveis Coloniais e, como sempre, me pareceu menos melódico que em disco. Fred não é um cantor, não nasceu com esse dom e pronto. A música também fica mais crua ao vivo o que diminui ainda mais a melodia das canções. Foi durante o show que, sentado, aproveitando a lombra, encontrei a musa da noite. Uma menina linda cujo vestido a fazia ainda mais bela. Era um vestido preso pelos seios (nem grandes, nem pequenos) que descia suave e levemente até os pés, com chinelas rasteiras superdelicadas. Não fosse um blackpower tê-la ido azarar eu provavelmente teria tido coragem para dizê-la: este é um dos vestidos mais lindos que já vi e você fica magnífica dentro dele, parece que roupa e corpo foram feitos uma para o outro. E de fato assim me pareceu principalmente quando ela começou a sambar delicadamente o vestido fazendo curvas pelo seu corpo, sugerindo, revelando e escondendo suas formas. Tinha ainda o pescoço à mostra, o cabelo preso por um despretensioso coque. Fiquei olhando para seu corpo ora na penumbra do ambiente, ora silhueta diante das luzes coloridas do palco. Cheguei até a pensar: esta poderia ser a mãe dos meus filhos. Aí ela e o blackpower saíram para perto da multidão e me deixaram sentado com o meu encantamento.

Pouco depois disso começou o show de Marcelo Camelo (começou depois da meia-noite, portanto no dia do meu aniversário). Só conseguia pensar naquela que lê e não me ama. O show foi muito fiel ao disco, com umas três incursões pelo repertório do Los Hermanos (que ficaram com arranjos ótimos, menos rock, a cara dessa fase nova de Camelo). O público sabia todas de cor e mais de uma vez cantou sozinho canções inteiras. Pra descontar a canja de Los Hermanos (com direito a coro de “Uh! Los Hermanos!”), Camelo mostrou uma música inédita (pelo menos, pra mim) (algo sobre um marinheiro) e emendou com dez minutos de ruído, com cada integrante da banda fazendo abstrações com seus instrumentos. Um show para fãs. Quem não gostava ou era indiferente permaneceu como estava. Eu amei, principalmente por ter aquela que lê e não me ama na memória. Foi mesmo que tê-la ao meu lado, tão constante foi sua presença na minha mente e coração. Eu lembro dela toda vez que escuto o CD, não poderia ser diferente ou menos intenso ao vivo. Queria tanto que ela se lembrasse de mim ouvindo o CD também. Se é que ela ainda escuta ou escutou a cópia que lhe dei.

Pelo menos sem beber consegui me lembrar de todas as atrações, o que nunca ocorreu em nenhuma edição anterior do Abril que tenha ido.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

BOA NOITE

Hoje me senti bem, feliz, eu diria. Cantei até. Esse bem-estar que me veio é como um oásis no deserto. Ainda (me sinto) bem. Decidi que vou ao Abril Pro Rock... sem beber!!! Para comemorar o meu aniversário antecipadamente com meus amigos, ouvindo música que gosto. Espero que meu astral dure até lá. Boa noite, mundo todo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

ECT


O momento do último recurso do meu tratamento psiquiátrico está se aproximanto: ECT ou eletro-convulso-terapia. Isso mesmo, vão me eletrocultar na esperança que isso dê um “boot”, por assim dizer, nas minhas conexões neurais. Serão entre 8 e 10 aplicações. Meu maior medo é: e se não funcionar? Será então que tudo o que estou passando não seja mais do que mimo, que não tenha nenhum defeito no meu cérebro? Que eu esteja atuando uma farsa inconsciente? A prova dos nove está chegando e isso me angustia.

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É ruim ser eu. Esta frase me veio à cabeça há alguns dias e acho que sintetiza exatamente o que eu sinto dentro de mim.

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Percebo que pessoas queridas se afastam de mim. E que eu também me afasto de pessoas queridas. A solidão é um dos grandes males desses dias de não.

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Continuo não querendo o computador alemão que me compraram. Será que os eletrochoques me farão mudar de idéia? Sinceramente não acredito que o tratamento seja tão poderoso assim.

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A você que lê e não me ama: você continua sendo uma luz em meio a essas trevas mesmo assim, que não queira.

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Não fazer nada e não querer fazer nada são atividades muito desgastantes dos pontos de vista intelectual e social.

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Vou fazer trinta e dois e isso talvez nem seja a metade da minha vida: eis um pensamento assustador.

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Não quero ter filhos para que estes não herdem esta minha condição de odiar ser. Não desejo a um inimigo, que dirá a um ser amado e aguardado.

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Eu me lembro que era feliz, que já fui feliz. Talvez isso seja um indício que realmente eu esteja doente agora. Tomara.

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Peço perdão à minha mãe, a meu pai e aos meus irmãos por todos os aperreios. Infelizmente eu não consigo me perdoar a mim mesmo.

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Tenho tristeza, mas não tenho lágrimas para derramá-las e por isso guardo o sal das minhas mágoas detrás dos meus olhos.

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Trabalhar até morrer: acredito que seja isto o resumo da minha vida após o tratamento. É melhor do que fazer nada até morrer, pelo menos isto pude comprovar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

CARTA DE AMOR A JOYCE

Eu vivi um amor ideal. Ideal inclusive nos defeitos. Compartilhamos nossas vidas, limamos nossas diferenças com muitas arengas, rimos bastante, saímos o quanto nosso orçamento permitiu. Fizemos compras juntos, fizemos muita coisa juntos, inclusive na cama. Jogamos videogame juntos, cozinhamos juntos, passeamos lisos pelo shopping juntos. Ela vinha me visitar no trabalho, pra me dar um sorriso, um beijo e, muitas vezes, uma reclamação. Ela tinha liberdade de ter sua vida própria, independente de mim e eu também. Ela era organizada, eu desorganizado. Ela era controladora de custos eu não estava nem aí. Nós preenchíamos os vazios um do outro, éramos complementares. Ela me fazia rir com os seus estresses despropositados (pelo menos despropositados pra mim). Ela era braba e eu era da paz e por isso era ela que sempre ia à guerra em busca dos nossos ideais. Nunca levava injustiça ou desaforo pra casa. Já eu não ligava para essas coisas, pra mim, menores (eu, ao contrário dela, pagava para não ter estresse). Enfim, foram dois anos maravilhosos que eu joguei no lixo por causa dos meus lixos existenciais. De qualquer forma posso dizer que vivi intensa e completamente um grande amor. Amor do qual desfrutei cada aroma, cada sabor, cada toque, cada palavra, cada ação, cada olhar. Amor do qual ainda guardo as mais ternas lembranças. E isso já é dizer e viver bastante.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

VAZIO

Vontade de nada. Nem de carinho. Queria que fosse possível hibernar até a minha morte. Tudo me parece muito complicado, muito difícil. Ver TV, escrever estas linhas, ouvir música, nada me apetece, tudo é em vão, tudo é vão. Sou uma pálida sombra de mim mesmo, a luz difusa que incide sobre mim não revela nem esconde, porque agora sou homem-nada, sou só tristeza e desânimo, sem idéia de quais forças externas pudessem me renovar. Droga de doença, droga de angústia, queria que as drogas funcionassem logo, já que tomo tantas, de tantos sabores e dissabores. Minha vida me vem amarga na língua da alma, meus olhos estão cansados de ver, meu peito cansado de sentir esse vazio ininterrupto, único verdadeiro companheiro desses dias de não. Queria pular deste palco decorado de tristezas e amarguras, vazio, a não ser pela minha presença mórbida, e saltar para o vazio da não existência, para o ventre oco do nada. Os outros tentam me animar, dizem que é tristeza ligeira, que logo passa, que é só ter paciência. Não percebem eles que há meses sou escravo de Jó.

quarta-feira, 25 de março de 2009

MÁSCARAS


O som das teclas digitadas por Mira parece chuva batendo na janela. Estou me sentindo meio abestalhado, meio alheio, com o pensamento meio vago, acho que é o remédio, aliás, os remédios. Vendo muita TV. O alheamento rouba-me também a inspiração e a criatividade para escrever. Estou na casa de Tio V., onde estou sendo muito bem tratado e tendo como cicerone meu primo, que sempre se põe a minha inteira disposição. Estou muito grato a ele, sem sua ajuda me sentiria muito mais deslocado aqui. Está fazendo um calor... passo o dia suado, o banho frio vem como uma bênção.
Meu coração está alheio como o meu cérebro, com sentimentos vagos. Joyce me ligou hoje. Atendi sonolento e me faltaram palavras, ela estava apressada, pra variar. Minha meta é ficar bom e tentar ser aceito novamente no meu antigo trabalho. Tenho outra proposta, mas é complicado aceitá-la pelo valor e pelo local. Complicadíssimo. Ainda não recebi pela ilustração que fiz. Recusei as novas. Não por isso, mas porque eu não sou ilustrador, sou muito limitado nesse aspecto, não me sinto em condições de prestar este tipo de serviço. Pra falar a verdade preferia me aposentar. Desisti do meu sonho de mudar o mundo. Estou com os pés mais no chão. Estou me conformando que eu sou apenas um publicitário medíocre, um joão-ninguém como a maioria de nós é. Preferia me aposentar. Sem dúvida seria a melhor opção para o meu juízo. Temo ter novas depressões por causa da Publicidade e de qualquer outro trabalho. Talvez isso tenha esta aparência por estar ainda deprimido, sem ânimo e ainda por cima vago.

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Poderá alguém conhecer o âmago do outro? Isso depende de quem seja o outro. E da capacidade e dedicação que se tem de extrair do outro tal profundidade. Poucos têm realmente vontade de se revelar. Muitos têm vergonha de quem acham que são. A maioria se esconde por detrás das máscaras. Eu não. Por isto este blog escancarado, sem pudores ou repressões. Este blog é o que sou, com todas as fraquezas e defeitos e feiúras incluídos. Escrevo aqui por não ter com quem me repartir e porque gosto de fazer brotar palavras. Obviamente devo vestir máscaras que nem mesmo percebo que carrego e interpretar papéis que me são invisíveis. Mas faço o meu melhor esforço para me desnudar. Gosto da minha nudez intelectual. Busco isso, transparência de mim para o outro. Mesmo que a recíproca não seja verdadeira.

quinta-feira, 19 de março de 2009

FALTA

Falta de Joyce. Falta de fé. Me sinto tão sozinho agora. Troquei tudo (casa, emprego, mulher, cachorro) por um delírio, uma bobagem, uma ilusão. Como sou tolo. Como isso me dói agora, lateja em meu peito. Me sinto tão, tão sozinho. Falta de tudo. Vontade de nada.

ALGO IN A NUTSHELL

Vivo uma ilusão. Uma ilusão de que meu Deus é certo. Que o meu Deus é mais aceitável que os demais. Não sei se acredito na ilusão, já que a vejo como tal. Mas a ilusão é, para mim, uma melhor justificativa para tudo que existe do que as outras que já conheci/experimentei. Eu queria muito colocar minha ilusão no papel, mas algo me bloqueia, toda vez que tento, as palavras me soam ridículas, como se faltassem a elas a profundidade e abrangência que eu desejo e vejo em minha mente. Eu me bloqueio, em verdade. Não há nada ou ninguém que possa bloquear, só eu mesmo. Por que eu me bloqueio? Provavelmente por vergonha e medo de ter minha ilusão ridicularizada pelos demais. Mas eu não deveria pensar nos demais ao escrever, só em mim. Aliás, nem em mim, pois minha autocrítica também me bloqueia. Devia pensar só no texto, o que é quase impossível. E esta obra é o que há de mais importante em minha vida, minha missão para com o mundo. E eu a tranco em minha mente.

Resumo do que quero dizer

- Deus criou o universo para que este se torne a versão 2.0 de si mesmo.

- Deus fez isso gerando um desequilíbrio no nada (0 = tudo – tudo [logo todas as possibilidades estão contidas no nada e o inverso delas, o que as anula]) fecundando o nada com energia, o que causou uma reação em cadeia e, conseqüentemente, a explosão conhecida como Big Bang.

- As partes positiva e negativa do nada estão presentes no universo. A parte positiva sendo a energia e a parte negativa sendo a gravidade.

- Há um erro na interpretação da gravidade que aparece quando a massa é muito pequena ou quando as distâncias muito grandes. Tal erro é o que fez os cientistas a criarem os conceitos de força fraca e força forte para as estruturas para as estruturas subatômicas e a matéria negra para os corpos celestes. Na verdade a gravidade não decai infinitamente tendendo a zero. Em dado momento, ela para de cair e se estabiliza, tornando-se constante.

- O universo é cíclico, segundo minha visão. Vai do nada ao nada, ou seja vai de s = 0 e t = 0 até s = 0 e t = 0 de novo, com a energia se tornando cada vez menos utilizável e com o crescente número de buracos negros, a tendência é que a matéria vá sendo atraída de volta e se compactando, junto com o espaço-tempo, até o ponto inicial. Este estágio inicial é fecundado pelo Deus 2.0 para gerar o Deus 3.0 e assim sucessivamente.

- Deus é o universo. O universo aqui e agora é o embrião de Deus. Os homens podem fazer parte de Deus. A primeira etapa é alcançar o próximo estágio evolutivo: a consciência coletiva. Aos poucos, todos os dias, sem que nos apercebamos, vamos criando o arcabouço tecnológico para que a consciência coletiva emirja. Nos tornaremos uma simbiose entre tecnologia e nossa parte orgânica. Usaremos engenharia genética para adaptar e aperfeiçoar nossa raça, faremos auto-evolução.

- Esse simbionte de tecnologia e seres humanos será capaz de deixar a Terra quando o Sol estiver morrendo, levando o genoma de todos os seres possíveis e toda a cultura armazenada. Este ser navegará pelo universo a procura de outros como ele para juntos formarem uma consciência coletiva ainda maior. Essa consciência será Deus. Esse Deus saberá ou aprenderá como fecundar o universo da precisa maneira necessária para criar uma nova versão de si mesmo.

- Este processo de criação de uma consciência coletiva na Terra pode ser acelerado se eu for eleito presidente do Brasil. De posse do dinheiro ganho com a licitação internacional de exploração responsável da Amazônia (da qual o Brasil vai ser o principal beneficiário, ganhando royalties, explorando ele mesmo as riquezas da região e com o desenvolvimento obrigatório do Norte do país, que se tornará um grande centro científico e de produção) utilizarei parte para formar uma join venture com a Google, a Adobe, a Nintendo, a Apple e a empresa que é dona do 3DMax e do Maya, para lançar uma plataforma modular e uma rede nacional visando o edutainment (educação com entretenimento), a fiscalização e transparência de todos os processos governamentais, além, e principalmente, a participação popular democrática em todos os assuntos em todas as esferas governamentais, tudo através da internet gratuita e de âmbito nacional. Esse sistema e a plataforma modular se espalharão pelo mundo (a plataforma será lançada como misto de videogame com computador nos demais países). Com tantos nomes poderosos por trás e pela qualidade do que é oferecido, espero que a plataforma se torne uma unanimidade e assim se torne a espinha dorsal da consciência coletiva.

- Como a etapa acima não vai acontecer vou apenas mencionar os outros tópicos do meu governo: criação das Academias (biblioteca, escola, posto de saúde, parque, espaços para shows), medicina preventiva mensal para toda a população, legalização das drogas e assimilação de parte dos traficantes para as forças armadas para a proteção das fronteiras da Amazônia (transformá-los de bandidos em heróis nacionais), só entregar bolsa escola ou bolsa família para mães que tomarem anticoncepcional na hora do recebimento da bonificação (afinal, se não tem condições de criar os filhos que já tem, porque ter outros e lançá-los à privação?).

- Não seremos escravizados pelas máquinas, nós imergiremos nelas por livre e espontânea vontade, porque será bom para nós, nos movermos num mundo sem limitações físicas (a la Matrix e muito mais que isso), nos conectarmos com uma mente bilhões de vezes maior que a nossa, só para citar alguns atrativos. Nós poderemos escolher o nível de imersão no sistema em qualquer momento. Por exemplo, podemos usar parte da consciência para cortar grama no mundo real e o restante para pesquisar algo na rede, da mesma forma que podemos cortar grama falando ao celular.

Bem, é isso.

quarta-feira, 18 de março de 2009

GNOMO

Sentia uma imensa vontade de escrever, mas nada lhe vinha. Tinha o antigo projeto, o grande projeto, aquele que iria mudar o mundo e que nunca saiu de sua cabeça, nem para o papel, nem da memória. Mas não queria escrever sobre isto, queria algo diferente, foi quando um gnomo apareceu aos seus pés:
- Ô de casa!
- Que porra é isso? Estou tendo uma alucinação?
- Pior que não. Você foi escolhido pelo Gnomo-Rei para ser o Humano-Ouvidor
- Humano-Ouvidor, que diabo é isso?
- É simples: eu falo, você digita, depois posta na internet. Tu tem um blog, num tem?
- Tenho.
- E então.
- E qual é sua mensagem?
- É que o mundo está acelerado demais, tem correria demais, pressa demais, pressão demais. As pessoas vivem sem tempo para relaxar, para serem elas mesmas, para gozar da presença passageira por estas paragens.
- Só isso?
- Não, tem mais: se continuarem nesse ritmo, multiplicar-se-ão as doenças e os suicídios. Haverá uma estafa generalizada, inclusive da mãe natureza, que terá que pagar pelos prazeres fúteis e onerosos ao meio ambiente que vocês procuram para ocupar o vazio de não terem uma vida de fato. Vocês vivem vários papéis, mas não descobrem os seus verdadeiros eus, vocês vêem a vida passar mas não param para assistir, vocês estão se martirizando e martirizando tudo a sua volta. Como espécie dominante no planeta o mal que geram para vocês reverbera para todo o ecossistema da Terra e as conseqüências disso não serão nada agradáveis para nenhum de nós. O clima está prestes a mudar e com ele todo o ordenamento das coisas neste planeta. Muitos irão sofrer. Quase todos. E vocês nessa correria só acelerando tudo e se esquecendo de tudo. Cuidado que muita coisa não tem volta.
- Pô, você está com previsões sinistras...
- Na verdade, meu bom homem, realistas. Nós Gnomos temos grande avanço nas ciências do clima, da fauna e da flora. Tudo o que falo, falo de fé e conceito.
- E vocês, não vivem na correria como nós, não?
- Não. Primeiro porque uma simples maçã pode alimentar dez de nós. Segundo porque não temos pressa, respeitamos religiosamente o andar das estações, sabemos que tudo tem seu tempo e que a vida é pra ser aproveitada. Nosso lema é alegria 100, estresse 0.
- Que inveja...
- Você não muda sua vida porque não quer.
- E onde é que eu vou achar um trabalho que não seja estressante, por exemplo?
- Você sabe onde, só não quer ver.
- Isso pra mim é papo furado de guru de meia tijela.
- Tá bom, você é quem sabe.
- Onde vocês moram que ninguém os vê?
- Moramos onde há folhas e flores. Ninguém nos vê por causa de uma encantamento de invisibilidade. Alguns de nós já morreram esmagados por vocês, que nos pisaram por sermos invisíveis aos seus olhos. Mas é melhor assim, garantimos nossa privacidade e não participamos do mundo caótico de vocês.
- Vocês odeiam os humanos, então?
- Não, temos pena. Tanto potencial desperdiçado com futilidades, com ganância. Xii... ganância é uma das piores doenças da alma. E a imensa maioria de vocês é doente dela ou tem propensão a ficar.
- Eu não sou ganancioso.
- Ainda não. É por isso que o Gnomo-Rei o escolheu.
- Tem mais alguma coisa a dizer?
- Por ora, não. Só queria mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.
- Um beijo.
- Tchauzim.
- Tchau.

PASSATEMPO

Declinei de dois trabalhos: uma cartilha para Tio B. (que ficou desapontado, naturalmente) e dois desenhos para a Agência M. (que ficou desapontada, naturalmente). Achei que não tinha competência técnica para fazê-los. E também não seria justo com Tio B. rejeitar o dele e aceitar o outro. De qualquer forma estou com a porra da depressão que não me dá ânimo pra nada. Então, não quero fazer nada a não ser relaxar, ficar tranqüilo, sem estresse, para melhorar o mais rápido possível. Já sinto melhoras significativas. Também, estou tomando doses hospitalares de remédio. Graças que está funcionando.

XXXX

Tenho tido flashbacks da cola. A sensação de ardor refrescante, tipo um halls, pelo meu corpo (principalmente nas juntas e nos cabelos) passou o dia inteiro comigo (até agora). Não é uma sensação ruim. Pelo menos não me dá vontade de cheirar. Não estou com vontade de cheirar, o que é muito bom pra mim e pra minha família (e pro meu tratamento).

XXXX

Eu não consigo escrever o que mais quero. Isso é uma droga. Fico digitando essas bobagens aqui, mas quando vou tentar escrever Algo, nada sai. É como se eu não acreditasse no que eu acredito. Eu me reprimo, me fecho, fico sem palavras lá, quando aqui sou tão prolixo. Droga.

XXXX

Estou achando tudo o que eu faço ridículo, sem mérito. Que fase ozzy.

XXXX

Minha mãe que me incentivou a soltar o verbo, ela sabe que eu gosto das palavras e que o gosto por elas me faz bem (por isso, inclusive, este post).

XXXX

Estou sem palavras hoje.

XXXX

Ah! Não tive a recaída insinuada no post anterior! Vitória!

domingo, 15 de março de 2009

WATCHMEN E OUTRAS BABOSEIRAS

Ver The Watchmen não faz bem aos fãs da revista. O filme é muito fiel ao material original, mas não é bom, o que deixa um gosto amargo na boca daqueles que, como eu, acham o gibi uma das melhores coisas que já leram. O fato de o filme ser pior que o gibi é um só: a história foi pensada para ser uma HQ, para utilizar esta mídia e explorá-la ao máximo (o que de fato ocorre por isso é tido como o melhor gibi de todos os tempos). É muito densa, muito longa, muito complexa e com muito pouca ação para um filme de super-heróis. Quem conhece The Watchmen primeiro por ou apenas pelo cinema é um desafortunado. Por isso, rogo, se você ler isso, procure o gibi antes do filme, please!

XXXXX

Estou com raiva do meu amor. Isso é bom, porque pode significar que estou começando a desgostar dela (já li em algum lugar que, em muitos casos, a raiva ocupa o espaço deixado pelo amor no coração, servindo de combustível para que se supere a quebra da relação). Por que é bom deixar de amá-la? Bem, é e não é (e nem sei se é o caso), em verdade. Bom porque ela nunca me quis e nunca vai me querer, logo, sofro de um amor impossível. Ruim porque não gosto de ter meu coração vazio ou preenchido por raiva. Nunca havia sentido raiva dela. É a primeira vez. Nem estou sentido saudade/ânsia dela neste exato momento. Pra ser sincero, neste exato momento estou de saco meio cheio dela e de tanta negação ao meu amor. Isso é estranho. Nunca havia me sentido assim. Não gosto de sentimentos negativos (mas eles abundam atualmente dentro de mim).

XXXXX

Meus excessos deixaram minha memória ainda pior do que já era. Isso me preocupa. Tomara que seja passageiro.

XXXXX

Apesar de tudo ainda acredito em Algo. Ainda quero fazer Algo.

XXXXX

Há dois dias não penso em me matar de verdade. Sem dúvida um recorde nas últimas semanas. Por outro lado, penso na danada sem parar. Amanhã vai ser o dia da alegria e, depois, serão 6 meses sem ela para eu me desintoxicar completamente (e quem sabe me ver livre da maldita de uma vez por todas).

XXXXX

Tentando reduzir o cigarro de duas carteiras e meia para uma carteira por dia. São 19h30 e tenho quatro cigarros.

segunda-feira, 9 de março de 2009

CONSELHO


Vou seguir o conselho de Tio B. e só escrever algo aqui quando for feliz. Embora não saiba quanto tempo isso vá levar e embora Tio B. seja ignorante sobre alguns dos infernos da alma, os quais trata de forma um tanto simplista. Os meus últimos posts tristes (e já apagados) me fizeram perder a mais importante das minhas seguidoras e eu sinto muito, muito esta perda. Mais uma prova de que Tio B. está correto.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A VOCÊ QUE LÊ E NÃO ME AMA




Não saberá das risadas perdidas, dos carinhos ao pé do ouvido, do toque na nuca, das conversas e das arengas, das saudades e retomadas, dos abraços apertados, das mãos firmes nas coxas, das mãos firmes umas nas outras, do olhar dentro do olhar refletido. Você que não me ama não saberá das horas de conversa, das mútuas confissões mais embaraçosas, das semelhanças encontradas, das diferenças perdidas, das intimidades conquistadas, dos silêncios, do falar mudo, das pausas, dos sussurros. A você que não me ama não há como saber das peles e dos aromas, das línguas e dos beijos delicados e leves, do colo, ora para um, ora para outro, da cumplicidade, da amizade, da liberdade, do respeito. A você que não me ama há somente a visão da casca e a casca não agrada. Quem dera Deus tivesse me dado melhor embalagem.

XXXX

Não sei se é sua juventude. Acho que sim. Sua alegria também. E sem dúvida a sua beleza. Todas essas coisas que são fúteis e passageiras e que pra mim são tão importantes. Não cresci. Tenho medo de crescer.

MERDIGO


Eu não quero os ossos de nenhum ofício. Quero liberdade. A única solução que me vem à mente é virar mendigo. Esta idéia tem me assombrado há dias. Estou cansado de pressões e opressões. Estou cansado das cobranças para que eu me torne produtivo de novo. Estou frágil demais para ser produtivo agora. Não gosto do modus operandi da sociedade. Não gosto de mim. Não gosto do que causo à minha família. Gostaria de sumir. Mas tenho medo de me suicidar. Tenho menos medo de ser mendigo. De sair por aí e por aí ficar e ir ficando. A única pessoa que me prenderia a esta esfera social não me quer. Os outros proveitos de estar nesta camada são fúteis, dispensáveis. Banho, cama, segurança, DVD, piscina, computador. Acho que consigo viver sem isso. Acho que consigo pedir esmolas. Acho que tem os sopões em algum lugar. Acho que gostaria de me sentir São Francisco. Acho que me violentariam nas ruas, por não ser mendigo de fato ou por demorar até me tornar efetivamente um. Mendigo de óculos? Com tênis Nike? Com celular (o levaria, afinal alguém poderia querer me chamar para uma cachaça free e mamãe poderia querer saber de mim). Merdigo, isso sim. Burguesinho de merda com idéias de merda. Mas estaria livre. Meus pais estariam livres. Eles que querem tanto esta liberdade de mim. E não teria patrão, nem horário, nem compromissos, nem responsabilidades. Nem cigarro. Isso é uma coisa difícil, mas possível de me acostumar. Eu acho. Viveria com a lembrança dela que não me quer, como vivo hoje. E como viverei sempre, eu acho. Nisso não haveria diferença. Viveria andando pelas ruas, para quaisquer ruas que me dessem na telha, pararia para descansar quando me desse na telha. Ia levando, um dia depois do outro, à espera do dia final. Queria tanto escrever meu livro antes. Era só o que eu queria e é só o que eu não faço. Essa incongruência em mim me é dilacerante. Por que perco tempo escrevendo isto e não o livro? Porque tenho medo de que fique uma merda. Por ser tão grande. Porque preciso desabafar com alguém. Com o Word, que sempre me ouve e sempre me solta a voz. Vou tentar escrever algo do livro.

XXXX

Ficou uma merda o que escrevi. Algumas coisas me pareceram sem senso logo nas primeiras frases. Agora o que eu quero é me livrar da vontade de realizar esta utopia. E ainda quero ser mendigo. Ser mendigo deve ser uma merda. Mas para um merda como eu é algo que cabe. É uma merda ter uma vida e não querer fazer nada com ela. Não ter um interesse válido, útil, socialmente útil. Que desperdício. Tantas pessoas dariam tudo para estarem em meu lugar agora, serem filhos de gente do meu estrato, terem tido a educação e os recursos que eu tive. Eu tenho o que a maioria não tem. E eu não tenho o que a maioria tem: vontade de viver, de ser alguém. Merda. Dói esta merda de ser assim. Vazio e cansado. Cansado e vazio. Ficou uma merda o que escrevi. O que tanto queria escrever. Que merda das merdas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

EFEITOS DA CEGUEIRA



Acho que falarei de obviedades aqui, mas quem nunca o fez que atire a primeira pedra.

Depois que acabei de ler o Ensaio Sobre a Cegueira fico vendo comportamentos como os dos cegos em todo lugar. Acredito que no Brasil, nem precisaríamos estar cegos para que sucedesse o que sucedeu no manicômio do livro. Bastaria jogar-nos lá. Acho que falta à maioria de nós a casca sócio-cultural de alguns séculos de civilização para nos servir de impedimento de fazer às claras e à vista de todo mundo o que no livro está descrito. Aliás estando todos nós às nossas próprias leis (ou melhor dizendo, às leis de ninguém) e enxergando, o caos seria muito maior que o contado no livro (já isso em qualquer lugar do mundo, creio). O homem em pânico torna-se tão animal quanto qualquer outro, fica desprovido das leis de convivência ou respeito que reprimam seus atos, agindo apenas pelo impulso/instinto de se livrar da causa do pânico. Em multidões, o pânico se manifesta de forma ainda mais assustadora e bestial, vira-se uma massa desordenada de imbecis desesperados, pior do que uma manada de gazelas perseguida por leões (posto que as gazelas são acostumadas a mover-se em grandes grupos e o homem não).

Saramago usou a cegueira como lente para amplificar o que de pior há no homem, mas nem precisava, no nosso dia-a-dia existe um lente de igual potência e impacto: o trânsito. É atrás de um volante que a verdadeira personalidade das pessoas se revela. Não faltam em nossas ruas, a cada esquina ou semáforo alguém desrespeitando a norma, alguém querendo levar vantagem, alguém sendo agressivo, buzinando, xingando, pressionando, fechando, atropelando. Me é enervante, a mim que não dirijo, ver os espertinhos e os espertalhões atrapalhando o trânsito ao fazer suas mirabolantes e arriscadas manobras na ambição de ganhar alguns segundos de vantagem. Me doem nos nervos aqueles que, um milésimo de segundo depois de aberto o sinal, têm como reflexo instantâneo atolar a mão na buzina como se estivesse a tanger bois. E somos pior que bois no trâsito, pois bois conseguem andar em conjunto, sem se enfiarem uns na frente dos outros para atrapalhar o andar do grupo. Há nos bois um senso de comunidade, que não há no trânsito.

Como se vê, minha própria natureza aflora no trânsito, minha ira para com aqueles que se acham melhores e podem mais que os outros em seus veícuilos me ataca infalivelmente, mesmo que eu não saiba dirigir e só ande como passageiro.

Acredito que o trânsito é o melhor e mais perfeito termômetro do nível de civilidade de uma sociedade. Não é preciso cegueira para saber do pior e do melhor de um ser humano, basta dar-lhe as chaves de um veículo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SUPER-HERÓIS


Não fui ao bloco como prometido no post passado. Não por falta de iniciativa, mas porque ao contatar meu primo, este me disse já estar de partida, assim como o resto dos amigos. Foi com grande alívio que recebi a notícia, pois minha disposição em ir beirava a indisposição. A noite porém, não estava perdida, havia a prévia do Enquanto Isso na Sala da Justiça. Tinha R$ 40,00 comigo (troco da compra do ingresso do show do Radiohead [para o qual não sei como vou, pois não tenho dinheiro para passagens, mas isso é outro assunto]) e somente o ingresso para entrar na prévia custava R$ 50,00. Sabia que Beatriz iria estar lá. Então, pedi emprestada a quantia à minha mãe. Arrumei uma fantasia de maracatu com a minha tia e uma carona numa van com meu primo e lá fomos nós. Logo à entrada, fui barrado por estar segurando uma lata de cerveja que não quis desperdiçar por estar quase cheia e, por isso acabei me desvencilhando dos meus amigos e me perdendo deles. E perdido fiquei até o final da festa. Passei dois terços do tempo em que lá estive rodando à procura da turma e nada. Encontrei muitas pessoas que não procurava e me diverti um pouco com cada uma delas. (Me disseram no dia seguinte - hoje - que passei várias vezes a poucos metros de onde a turma estava, mas não nos vimos, mesmo eu estando com uma peruca de maracatu com coloridos e reluzentes fios metalizados. Irônico o destino como só ele sabe ser). Por não ter com quem voltar, parei de beber logo no início(a cerveja estava exorbitantemente cara), temendo ter que pagar sozinho a corrida de táxi da volta.
Nas minhas andanças, percebi que a fantasia de homem das cavernas finalmente começou a sair de moda, pois não vi mais que cinco deles (geralmente eram dezenas). Por outro lado, Welma, da turma do Scooby-doo estava em alta, vi quatro garotas com a fantasia. Outra que fez sucesso esse ano foi a de uma mistura de empregada de saias curtas, com tirolesa, com playmate. Vi umas dez deliciosas figuras. As She-Ras também marcaram presença, cruzei com pelo menos cinco delas. Mendigos eram outros que abundavam.

Neste ano, finalmente a galera dos games aprendeu a beber cerveja. Encontrei Marios (Marias?) Bros., peças de Tetris, lutadores de Street Fighter e Mortal Kombat, Sonic, Luigi, soube de uma turma que foi fantasiada de Mario Kart e o meu próprio primo foi de Shy Guy (inimigo de Mario). Vi alguns guardas de trânsito (homens e mulheres), uns três Batmans (sempre uma fantasia muito bem cuidada), mas ainda bem que eles estavam de folga naquele dia pois a população de curingas (no estilo visual do filme The Dark Knight) estava espantadoramente alta, sem dúvida uma das prediletas da galera. Vi um Elvis e ele estava bem vivo e animado. Vi também, hilário, um anão fantasiado de Mestre dos Magos.

É, pelo menos minha solidão me deu a oportunidade de observar os outros e, principalmente as outras, pois havia muitas super-beldades a transitar pelo espaço, que era climatizado e nunca chegou a ficar insuportavelmente lotado, sendo possível o deslocamento tranqüilo por praticamente todo lugar.

Só fui dançar no final, a incentivo de uma amiga de Bia (que também não a havia encontrado). Ela me empurrou de leve pelas costas e disse “vai, samba, que isto é Brasil”. Tão delicada e meiga ela foi, tão bela a frase, que me permiti dançar umas três músicas com meu samba de robô. Quando olhei pra trás, havia sumido. Isso já eram cinco e meia da manhã.

Resolvi sair e esperar lá fora que alguém conhecido aparecesse, afinal, se havia de encontrar alguém seria na saída, pois só havia uma. E foi no que deu. Encontrei Bia e o Shy Guy e voltamos de táxi juntos. Poderia ter tomado mais 3 cervejas, afinal. Mas não havia como sabê-lo. E a vi. Mesmo que no final. Estava de Superficial (algo que é o oposto do seu alter-ego cotidiano). Nem Batman poderia ter escolhido uma fantasia que escondesse melhor sua verdadeira identidade.
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Ah, e encontrei Juninho Rocha! Com uma cicatriz enorme na barriga! O resto estava do mesmo jeito inconfundível e inesquecível. Ele me seguiu pra todo canto até o momento de nos perdermos. Depois não mais o vi... vai ver que sua fantasia era de Homem Invisível.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

LOUVA-A-DEUS


Era pra estar agora seguindo o bloco Pisando na Jaca, indo de encontro ao bloco Os Barbas, ou coisa que valha. Estava indo devolver Ensaio Sobre a Cegueira na locadora, quando cruzei com o primeiro bloco e duas amigas que me convidaram à folia. Meu primo já havia ido para o segundo, onde também estão vários da minha turma. Hesitei ao convite e, ao invés de segui-los, vim aqui escrever o que esse comportamento traduz tão claramente sobre o meu eu de hoje: eu quero estar lá, mas não quero ir até lá. Eu sei que é o contrário do dito taoísta de que mais vale o caminho que o destino final, mas é nessas vias que minha alma encara a vida nestes dias. Vias essas que, bem sei, não levam a lugar nenhum. Torço para que isso mude e tive indícios de que isso vai acontecer. Ontem à noite ao ir fumar no lugar que me é de costume (do lado de fora do apartamento, ao lado da porta de serviço) dei de cara com um enorme (e, para mim, urbanóide, assustador) louva-a-deus, de uns dez centímetros de comprimento. Pouco menos de um mês atrás, nas mesmas condições havia postado-se na área de serviço uma esperança. Ambos os insetos são sinônimo de boa-aventurança na crendice popular e o encontro de ambos num espaço tão curto de tempo inundou-me com saborosas expectativas de dias melhores. Não que eu seja dado à crendices, mas quem não o é um pouco quando essas se apresentam?

Dos pensamentos saborosos sobre sorte e fortuna, passei a pensar em probabilidade e seus mistérios. Qual a probabilidade de, em um intervalo tão curto de tempo, dois insetos tão raros nos centros urbanos virem a dar as caras num mesmo apartamento, localizado a onze andares do chão? Por que um deles não foi parar no apartamento ao lado, ou no que está abaixo? Que odor especial terá o meu apartamento para atraí-los? O odor da minha desgraça? Do meu cigarro? Bem pode ser este último, posto que fumo a não mais poder, mais do que qualquer outro morador das redondezas, tenho quase certeza.

De qualquer forma o pensamento sobre probabilidades foi atraído, como todos são, para Beatriz e fiquei a cismar sobre a probabilidade dela ter vindo ao mundo. Fosse o outro espermatozóide a ganhar a corrida, fosse o óvulo do período anterior o fecundado e não existiria Beatriz. E ela me seria inconcebível, inimaginável, como o são o resultado da fecundação do óvulo anterior ou o fruto do segundo espermatozóide mais esforçado. Mas duvido que viessem a ser mais maravilhosos e encantadores que ela. Não consigo imaginar como. Louvo a Deus por ter sido ela a sair daquele ventre abençoado e a me encher de esperanças.

XXXXX

Também fui resultado das mesmas (im)probabilidades, prova de que nem sempre o destino ou o acaso são tão sábios assim, porque senão não teriam botado no mundo uma batata quente que meu pai e minha mãe vivem a passar um à mão do outro, assim que lhos esquentam os dedos. Não queria ser um problema, mais o sou. Ou tenho um problema, o que dá no mesmo, para os que de fora assistem e suportam meu trôpego vagar pelos dias nas minhas condições atuais. Muitas vezes, sinto que acham que é tudo fingimento, preguiça, mimo. Muitas vezes penso eu o mesmo. Mas aí me lembro dos dias bons em que era produtivo, em que não dava trabalho, em que tinha um trabalho, e tento me convencer que não é só isso. Sei que deve ser chato a algum possível e improvável leitor, ficar falando das minhas mazelas existenciais, mas são elas o principal assunto dentro de mim. Elas e Beatriz, como já deve ter ficado claro (só que sei que, de amor, ninguém cansa de ouvir nem de falar [já de desamor, ainda mais por sigo próprio, ninguém quer saber]). Mas esta é a vantagem de escrever um blog para ninguém, posso dizer o que quiser.

Vou contrariar meu estado de espírito atual, tomar um banho e ir atrás do bloco. Preciso fazer isso para sentir que luto contra o meu mal. Se bem que preferia que Beatriz chegasse e eu descobrisse para onde ela e os amigos iam e tentar arrumar um espaço para mim. Ah, não posso fazer isso. Combinei comigo mesmo que não mais o faria, para não constrangê-la. Tomar banho e ir pro bloco. Ai, como isto vai me custar. Espero que os benefícios compensem (embora saiba que não). No próximo post conto como foi (é ridículo falar como se houvesse alguém além de mim a ler essa parvalhada, mas é gostoso viver com tais imaginações).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PONTADA


A depressão hoje me veio diferente. Embora tenha passado o dia já relativamente deprimido (ou seja desanimado, desestimulado e triste), não havia tido nenhuma vontade suicida até ainda há pouco. A sede de morte me veio como uma pontada, como se a alma latejasse de angústia e desespero por alguns minutos e depois calasse de volta à sua macambúzia tranqüilidade. Da mesma forma como veio se foi, como se tivesse sido levada pelo vento.

Ademais, a sede de morte tem me vindo geralmente durante a noite, antes do sono, quando a solidão daninha e implacável se abate sobre mim na treva do quarto. Quando ficamos só eu e meus pensamentos e quando estes se tornam o mais feios e desiludidos que podem ser. Eles me chamam para a varanda, para o pulo final. E repetem. E fico eu remoendo essa ânsia dilacerante do fim, insone, à espera de um sempre atrasado Morfeu vir me resgatar da minha consciência doentia.

Assim têm sido minhas noites. Os meus dias têm sido menos medonhos, mas longe de felizes. Claro que tenho minhas alegrias, mas elas são pintadas sobre um fundo nublado de melancolia. Como uma música que não se consegue apreciar devidamente por causa de um zumbido ou chiado. Chiado do ser. Zumbido da alma. Acho que é a porra do remédio quinzenal. Não, não é só isso. Tenho que ser sincero comigo mesmo. É essa porra de ter que ganhar dinheiro com o que eu não quero fazer. Voltar a redigir para publicidade não me fez bem. Fazer essas ilustrações não me faz bem. Não é o que eu quero. Simplesmente não é. O que eu quero é ter minha lojinha no eBay e outra no Mercado Livre. Mas já quis tanta coisa diferente e nada. Porra, continuo achando que a porra do remédio está me afetando. Tive outra latejada agora mesmo. Se não for o remédio, vou ficar sem muitas alternativas de a quem culpar. Culpar a mim? Mas isso eu já faço o tempo todo. E culpo a doença por isso. E culpo o remédio pela persistência da doença. E só não me acho uma garotinho filho da puta mimado porque existem outros como eu no mundo, que vivem à sombra do suicídio e que não conseguem nem o podem evitar. Mas eu sou uma garotinho filho da puta mimado. Eu sou um merda. Eu sou um merda. Eu sou um merda. Porque eu não me enquadro? Por que eu não me enquadro? Por que eu não me conformo, entro na porra da fôrma? De alguma fôrma qualquer, na qual eu não dê trabalho a seu ninguém. Na qual eu não precise de seu ninguém? Por quê? Por quê? Que raiva de mim, de ser eu, de não conseguir ser eu, de não conseguir deixar de sê-lo. Em espirais infinitas de desgosto por mim mesmo, lateja de novo a idéia: “a melhor fôrma que você pode ter é a de não ser, assim não dá mais trabalho a ninguém, nem precisará de ninguém”. A alma lateja, lateja à espera de dias mais felizes, que sei que virão. Sempre passa. Sempre passa. Sempre passa. Queria tanto um colo e me abraçar/enroscar bem apertado a ele. Mas, curiosamente, não o da minha mãe. De outra mulher. Queria nascer de novo. Ou desnascer.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

IMITANDO EUGÉNIO DE CASTRO


Olhar,olhar, fruto brilhante do espírito. Fio que liga o mundo à alma. Olhar que pode cortar como navalha, pode adoçar como mel, pode agredir ou entender, pode sorrir, pode chorar; que pode mentir (mas que nisto não é lá muito bom, pois olhares não foram feitos para mentir ou esconder, mas para revelar). Aqueles que sabem olhar com os olhos de mentira, estes não os quero. Quero o olhar límpido e cristalino, quero o olhar que traz consigo e à tona o que há por dentro do outro. Não me incomodo que me extraiam pelos meus olhares o mesmo de mim. Não tenho vergonha do que aqui dentro vai, do que aqui dentro passa, do aqui dentro é tudo que sou.