terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PICANTE


Meu apetite sexual não é tão voraz quanto a mídia faz supor que seja o normal de nossa sociedade brasileira. Entretanto, como conversei muito sobre sexo esta tarde, o assunto me ficou na cabeça.

Dos nomes para o sexo da mulher o que menos desgosto é xoxota. Vagina me parece muito científico/médico, xereca me parece anti-higiênico, buceta me parece muito vulgar, periquita me parece muito infantil. Não lembro de outros. Acho, na verdade que não inventaram substantivo à altura da experiência visual e táctil que é uma xoxota. Cu, por outro lado, me soa perfeito para o que é, assim como furico, oiti, botico, caneco. Ânus já não gosto, me soa a cu doente. De qualquer forma o cu foi, sem dúvida, mais privilegiado com suas definições que a xoxota. No meio do caminho fica o pau, cacete, rola, pinto. Todos esses me apetecem. Caralho, bimba, benga, bilau, já não me remetem muito ao membro, parecem-me descrições platônicas/imateriais – mais do conceito da coisa que da coisa em si.

Interessante que eu saiba mais sinônimos de cu e pau. Acho que talvez se deva a prevalência destes nas tirações de sarro, piadas e xingamentos.

Mudando de pau pra cacete (ou melhor, de cacete para xoxota), não que me seja desagradável a escuridão úmida e escorregadia, um tanto frouxa/elástica da xoxota, mas preferia que ao penetrá-la me esperasse lá dentro a mão de uma ninfeta que se pusesse a envolver e pressionar agradavelmente, com seus dedos e palmas macias e suaves, todo o meu pau. Isso ocorra talvez por eu ter tirado, ao longo da vida, mais prazer das minhas masturbações do que das minhas penetrações. Parece que em francês chamam o gozo de la petite mort (pequena morte [acho que vi isso num filme]) e é assim que me sinto depois que gozo numa penetração, como se tivesse morrido um pouco, como se velasse um pouco, e esse sentimento me incomoda. Na masturbação, estranha e felizmente, isso não me ocorre, é uma ejaculação banal, simplesmente uma prazerosa extração de fluidos corpóreos. Acho que dou dimensão muito grande ao sexo dual (nada sei de sexo grupal e não me apetece). Para mim é preciso uma dedicação e um desejo tão grandes que é cansativo entregar-me assim com freqüência. A freqüência exagerada me aborrece do sexo, não tenho forças ou ânimo para me entregar completamente, até porque é como saciar uma fome que ainda não sinto, torna-se um ato de obrigação filantrópica à parceira (e, curiosamente, muitas vezes, o é para ela também, o que se dá por causa dessas rotinas mal conversadas/resolvidas das relações humanas).

No outro extremo do espectro, há a primeira vez com uma parceira, um processo extremamente excruciante para mim, não pela falta de ânimo ou desejo, mas pelo medo do fracasso. Perfeito seria se cada nova parceira me tratasse como virgem, porque afinal, eu sou virgem do seu corpo, dos seus detalhes sensuais, sou virgem porque certamente irei gozar rápido, sou virgem, em uma palavra, pelo sentimento de inexperiência que me domina e amedronta. Torno-me cordeirinho, acuado. Demora para que irrompa o lobo. Tenho medo de penetração. Pelo menos adoro beijar e lamber cada parte de uma mulher. Espero que isso tenha compensado as coisas para minhas poucas parceiras.

Outra curiosidade sobre minha sexualidade é que nunca comi uma puta. Não que não tenha tentado (tentei três vezes, uma das quais me custou R$ 400,00), mas porque não havia desejo do outro lado, não havia intimidade, não havia carinho, não havia para mim o que é mais fundamental no sexo.

XXXXX

Já fui casado, melhor dizendo, ajuntado, por dois excelentes e educativos anos. Não conseguimos evitar que o sexo caísse na rotina, mas o sexo, pelo menos para nós, era apenas uma fração da relação. Uma fração igual a ir fazer as compras juntos, jogar videogame, ver um filme, cozinhar, andar de ônibus, dormir juntos, tomar umas com os amigos. Descobri que o mais importante numa relação é que um se divirta com o outro. Enquanto for divertido compartilhar a vida com alguém, a relação é válida, a relação é estável, sadia, boa. E nos divertimos muito um com o outro até o fim (causado pela minha dependência química e as reiteradas recaídas que derivam dela).

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